
Este post dará ênfase ao que de mais especial tem em Caxiuanã, a percepção da indigência da preservação dessa grandiosa área, que agrega dentro de seus limites, cenários de biodiversidade sem igual. A ausência do homem nessa área é o fato que nos leva a entender, do que é capaz a atitude em prol da preservação da vida, seja ela, animal ou vegetal, contra ações antropogênicas que, trivialmente, neste momento, seria fatal. Um exemplo clássico disso, é o atual cenário da área do pólo madeireiro de Breves, potencialmente exaurido. Entretanto, a priori, se apresenta como um paradoxo, pensar, na intocabilidade dessa área durante cinco décadas, e a qualquer momento abra-se às suas portas para a exploração, obviamente, pelo até então, seu guardião (o governo). Por si só, os tipos de riqueza biológica presente neste texto, exige que a área de Caxiuanã se torne uma ferramenta de uso contínuo para o bem de todos, mantida a complexidade de sua biodiversidade e lincada ao homem como um museu contemporâneo da biota selvagem, focado para a pesquisa, ecoturismo, educação ambiental e a manutenção das espécies.
Mas, é extremamente desconfortável saber que é questão de dias para que máquinas entrem na área de Caxiuanã e derrubar arvores, dar cabo à fauna do solo, aterrorizando aves e os mamíferos metamorfoseando as trilhas do impacto em efeitos adversos imutáveis. Pode-se afirmar dois fatores sobre Caxiuanã: 1º - É diminuto o conhecimento sobre o seu fator biótico e, 2º - Até o momento, ninguém sinalizou com a vontade política suficiente para a construção de um plano de manejo capaz e minucioso da área com força para gerar condições mínimas o que numa eventual ação antropogênica, evitaria um efeito colossal para este monumento até hoje, preservado.
A área de Caxiuanã (nos municípios de Melgaço e Portel, no Pará) apresenta um cenário sistêmico complexo e diverso. E pelo que se sabe, embora a atuação presencial de pesquisadores de diferentes áreas científicas venha ocorrendo de maneira contínua, por mais de 16 anos, conclui-se após um estudo dos levantamentos da biodiversidade, que o grau de conhecimento da fauna e flora da referida região, mesmo sendo avanço extraordinário, não vai além de uma fração do todo daqueles ecossistemas ricos em fatores bióticos.
E de acordo com os resultados valorados nos três livros publicados sobre Caxiuanã, o total de espécie da fauna devidamente identificado, hoje, é de 1.103, sendo que o número da flora, fungos e líquen, é de 2.400, perfazendo um total de 3.503. Neste momento, este é o número a ser considerado como oficial e conhecido em Cxiuanã.
A partir dos idos 1961 começou o processo de preservação da área de Caxiuanã com a desocupação da área e com isso veio o vazio demográfico hoje existente na área da FNC – Floresta Nacional de Caxiuanã, fato que, essencialmente até o momento, fomenta a preservação de Caxiuanã. Evidentemente que não se pode predizer exatamente os efeitos na área, se a FNC não tivesse sido criada e não contasse com a presença do IBAMA. Mas, sabe-se o que ocorreu na região das ilhas que já foi o maior pólo madeireiro da Amazônia e, por isso entende-se que a região em questão, caso não tivesse sido preservada desde 1961, sofreria um impacto titânico diante da ação antropogênicas (exploração madeireira), com efeitos adversos irremediáveis sobre a sua flora e fauna.
Hoje, entretanto, a exploração manejada de Caxiuanã me parece mais próxima, o único empecilho é a falta de estudos e, por conseguinte, a falta de conhecimento suficientemente capaz de alavancar o seu plano de manejo. Neste ínterim em que Caxiuanã tornou-se intocável à exploração, transformou-se num “almoxarifado” dos fatores bióticos mesmo com algum grau de exploração sustentável pelos humildes ribeirinhos residentes da área.
12 dezembro, 2010
Caxiuanã e seu Paradoxo: zelar para explorar
Postado por Carlos Cezar 0 comentários
Marcadores: Biodiversidade, Ecologia, Meio Ambiente, Sustentabilidade
03 setembro, 2009
MUDANÇAS NA PERCEPÇÃO
Papel dos seres humanos.
É fato que outro modo de atitude essencial se faz necessário acontecer de tal forma que a espécie humana se perceba na sua analogia com o Meio Ambiente. Que o homem é parte integrante do Meio Ambiente ainda é negado por um grupo tanto mais numeroso quanto detém mais poder de influência sobre as decisões políticas do que os ecólogos, sendo este denominado de economistas neoclássicos. A manutenção de processos e equilíbrios ambientais é de responsabilidades dos humanos. O papel de guardião do Meio Ambiente imputa a transformação de cada geração em uma fiduciária para as gerações posteriores. Fazendo analogia às formas de fiduciários de ativos financeiros, a nossa geração, tem que repassar o principal para a próxima geração e viver das rendas.
Outro modo de atitude na conexão da espécie humana com o meio Ambiente são transições graduais, entretanto, um processo de descontinuidade também está presente, não somente na própria atitude, mas também na nossa percepção da atitude e do exercício de nosso senso de vontade para entrarmos em ação. Percepção submete-se a descontinuidades que tendem alterar o curso de histórias expressivamente. Um exemplo claro disso: o aparecimento da bomba atômica deve ser imputado com um elevado nível de responsabilidade com relação à gênese de guerras totais, somando veemência à criação da Organização das Nações Unidas, entre outras ações internacionais que, embora seja banhada por imperfeições, ainda assim evitaram até hoje uma ação recíproca nuclear.
A definição de que a espécie humana pode causar a extinção de sua própria espécie, também fomenta a necessidade de pôr um grau novo de responsabilidade sobre os tomadores de decisão. A afirmativa de que os humanos através de suas inconveniências alteram o clima planetário é parte disso. Em 1985 ocorreu à descoberta da ruptura na camada de ozônio, cujo fato remeteu a sociedade cientifica diretamente para o Protocolo de Montreal em 1987, ao passo que a menos importante depleção uniforme da camada de ozônio que naquele momento era a previsão dos debates sobre o transporte supersônico em 1973 não era o suficiente.
O efeito estufa é um fenômeno muito mais complexo que o buraco de ozônio, não somente do ponto de vista cientifico quanto diplomaticamente. O químico e sueco Svant Arrhenius, foi o primeiro a descobrir o mecanismo do efeito estufa em 1896, e prenunciou o aquecimento global, no entanto, estudos complementares aguardariam o redescobrimento do efeito por Roger Revelle em 1956. Nesse período pouquíssimas pessoas ouviam falar do efeito estufa. Hoje os acontecimentos básicos sobre o efeito estufa são ensinados em todo o planeta nos livros escolares de crianças. Nos anos 60 os humanos ficavam chocados e incrédulos quando se confrontavam com as informações de que as geleiras poderiam retrair-se e até mesmo desaparecer um dia. Hoje as pesquisas com certa dosagem de certeza, sinalizam para o seguinte fato: as geleiras do Glacie National park, em Montana (EUA), desaparecerão até o ano de 2030.
Postado por Carlos Cezar 0 comentários
Marcadores: Aquecimento, Ecologia, Meio Ambiente
15 julho, 2009
RETROCESSO DE 50 ANOS
De acordo com relatório divulgado pela Oxfam Internacional, as alterações climáticas poderão diluir e até mesmo eliminar de maneira irreversível os ganhos alcançados pelos países pobres ao longo dos últimos 50 anos. O relatório agrega o feedback dos cientistas que integram o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), interligado às Nações Unidas. Os cientistas enfatizam a problemática da fome como sendo o maior impacto. Os plantios de milho, considerada plantação de culturas-chave na ingesta humana, estarão em risco devido à prevalência das alterações ocorridas na zona tropical.
As áreas agrícolas dos países em desenvolvimento agregam dois terços de 1 bilhão de pessoas que vivem em situação de miséria no planeta. Em Ruanda, as famílias que dependem do cultivo de milho e mandioca sofrem da forma mais desumana possível devido à irregularidade das chuvas, se tornando num fator limitante para os cultivos dessas plantações. O relatório também aponta para a questão da acessibilidade à água que somando-se à garantia alimentar tornam-se uma problemática existencial que exige decisões e ações urgentes eliminando paliativos contemporâneo. A escassez de água tem força suficiente para gerar incalculáveis efeitos, principalmente aos empobrecidos que não tendo recursos para comprá-la migrarão para o entorno dos corpos hídricos, sobre os quais serão montadas as casas sem o mínimo de planejamento e despejarão os seus dejetos diretamente a esses corpos d’água que com o tempo também se esgotarão a exemplo de neve localizada que fornece água durante o degelo e que hoje se encontra em estado de retração.
É importante dizer que as Mudanças Climáticas além de potencializar as secas em determinadas áreas do planeta, também provoca cheias, por exemplo, a que ocorreu em estados do nordeste e principalmente na Amazônia. No Amazonas os efeitos ultrapassaram as perdas materiais, o sistema de educação parou e com base nas informações do secretário de Educação do Estado, Sr Gedeão Amorim, cerca de 300 mil educando espalhados em 43 municípios ficaram sem aulas.
A força da cheia no Amazonas levou a Defesa Civil classificar o evento como um desastre natural de grande intensidade (nível 3). Foram concedidas várias entrevistas pelo governador Eduardo Braga dizendo que a população amazonense estaria preparada para a cheia preanunciada pela equipe do Serviço Geológico do Brasil, mas o que se viu foi um desespero total já que os municípios estavam e ainda estão despreparados para dar guarida aos munícipes.
Infelizmente as conseqüências da cheia no Amazonas, vieram para comprovar que o povo amazonense vivência um cenário de falácia, os políticos ainda não entenderam que a mentira tem perna curta, e que palavras não valem nada se não forem acompanhadas de ações. Portanto, Palavras – Ações = Nada. Em não acontecendo a prevenção, os governos: municipal e estadual tiveram que remediar com medidas paliativas rotineiros, mais de 40 mil famílias foram atingidas e o governo estadual ajudou com R$ 6 milhões.
Postado por Carlos Cezar 1 comentários
Marcadores: Amazônia, Aquecimento, Ecologia, Meio Ambiente
09 julho, 2009
HUMANOS EM ECOSSISTEMAS
Sabemos que apesar de nós humanos, ao longo de nossa existência, ter sido um elemento no ecossistema terrestre, o momento contemporâneo, surge sinalizando para uma transformação ainda incapaz de aclarar as nossas atribuições neste sistema. Ou seja, atualmente somos capazes de transformar o processo básico do ecossistema, e o exemplo clássico disso são as alterações climáticas. A execução deste evento propagando-se continuamente, o que é distinto do evento em sua essência, nos atribui uma nova tarefa: o de “guardião”, isto é, responsáveis por fomentar a preservação da qualidade intrínseca ambiental terrestre.
Neste planeta, os humanos, até onde se sabe é categoricamente o único ser provido de aptidão para prognosticar uma realidade posterior. E dessa forma, este fato fortifica um embasamento para se tomar decisões antevendo os efeitos catastróficos, fazendo uso é claro, da visão de futuro como base para tomada de decisões. Ampliar e aprimorar a base existente e metodologias analíticas que agregam o caráter de “construtor” de cenários realizáveis do futuro, lincado à conjetura de vários cursos de ação assumirem um fator importante da tomada de decisões, entretanto, este não é suficiente. É necessário que além de tomar coragem, temos que exercer o senso de “querer” tomar as decisões e concluir as ações que elas implicam.
De acordo com (Daly, 1997), vários profissionais da área econômica vêem o sistema de mercado assumindo pra si, a responsabilidade de melhorar os efeitos adversos inseridos ao meio ambiente. E tão logo seja percebida a redução da qualidade ambiental e aumento de receita, acredita-se que as pessoas estarão motivadas a pagar para manter ou melhorar o meio ambiente. A valorização de arvores induzirá as pessoas a praticar o replantio de tal forma que possa nascer arvores mais rapidamente do que as que são exterminadas pelo desmatamento. Fazendo uma analogia com a transição demográfica, podemos dizer que, as taxas de destruição e reconstrução ambiental ocuparão os lugares das taxas de mortalidade e natalidade na dinâmica de populações.
É claro, que infelizmente, os efeitos ambientais continuamente não chegam a uma solução por conta própria. O desmatamento pode acontecer sem freio e chegar até a última arvore. No El Salvador, por exemplo, o processo de desmatamento chegou até o ponto final. E similar a isso, pode ocorrer, na grande área da Mata Atlântica no Brasil. Inclusive nas áreas de replantio, a totalidade da biodiversidade dificilmente é alcançada: o reflorestamento de áreas desmatadas não consegue recuperar as integridades primarias inerente daquela área.
Existe uma conjuntura inevitável em nossas ações. Em sua maioria, as pessoas ainda observam os problemas da Amazônia neste contexto, inferindo um desmatamento ainda que façamos qualquer coisa objetivando a contenção deste, despertando em nós, preocupações com outros problemas. Especificamente na Amazônia, os fundamentais que norteiam o trilho do futuro de desenvolvimento, se encontram sob a tutela dos tomadores de decisão, estes por sua vez precisam tomar as suas decisões banhadas de responsabilidades que o cenário requer. O futuro depende de decisões humanas.
O ser humano, agregou a seu caráter, a livre vontade, e, em sua maioria, as relações de humanos no meio ambiente serão aquelas que nós desejamos ou queremos que ela seja. Mas, dentro de um conjunto de limites. Não temos o direito de quebrar as regras e permanecer expelindo poluentes para a atmosfera planetária, matando florestas e poluindo as águas sem pagar um preço.
Entre humanos e Meio ambiente, há uma forte reciprocidade, e esta relação usam em ambos os sentidos: dos seres humanos para o Meio ambiente e vice versa.
Postado por Carlos Cezar 0 comentários
Marcadores: Amazônia, Ecologia, Meio Ambiente, Sustentabilidade







